Era apenas o fim de mais um dia de trabalho comum. Desligou seu notebook e olhou pela janela, o sol brilhava lá fora, apesar de já serem seis horas da tarde. Esse maldito horário de verão apenas servia para fazer seu cérebro queimar na volta para casa, foi então que ele decidiu mudar de trajeto, o caminho pelo cemitério era mais longo, porém mais fresco, as árvores em volta do cemitério traziam um pouco de vida para aquela cidade, morta e cinza como sempre.
Ao passar pela pequena estradinha de asfalto por entre os túmulos, começou a olhar os mesmos, um por um, procurando entre as fotos nas lápides se via algum rosto conhecido, era provável que não, mas se achasse algum rosto familiar ao menos poderia recordar sobre este no caminho de volta.
Viu soldados, camponeses, pais de famílias, viúvas que morreram solitárias, até mesmo crianças que nem tiveram a chance de aproveitar os prazeres da vida.
Eis que ao passar por um túmulo um feixe de luz reflete em seus óculos, ele coloca a mão em frente ao rosto e ao mudar de direção percebe uma lápide com um rosto um tanto quanto familiar, era incrível a semelhança, era como se estivesse olhando ao espelho, aquele homem, tinha exatamente a sua fisionomia, todos os traços. Ao ler a lápide é que teve um susto maior ainda, nela dizia apenas: “Pobre patife, viveu tanto para o dinheiro que esqueceu de viver para si”.
Que tipo de homem teria em seu epitáfio uma descrição tão cruel, nenhuma descrição de afeto, era horrível pensar em um enterro dessa forma, provavelmente teria morrido rico, mas sem família, sem amigos, era triste.
Mas agora, por um instante, pensou na sua vida, pensou em como estava vivendo-a, e sentiu-se culpado, culpado por estar cometendo o mesmo erro, por estar pensando mais no dinheiro do que em si e também, por não estar dando o devido valor para as pessoas que realmente importam em sua vida.
Saiu do cemitério, continuou caminhando até que avistou sua casa, no jardim da frente lá estava seu filho, brincando com o cachorro, tinha quase oito anos já e ele nunca tinha dito o quanto o amava, sentiu um momento de remorso, mas correu, correu em direção ao seu filho e lhe disse tudo o que sentia e como era feliz por o ter em sua vida. Após se abraçarem eles entraram na casa, o sol que queimava em sua cabeça não estava mais ali, provavelmente porque este sol já havia cumprido sua missão por hoje.

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