domingo, 12 de janeiro de 2014

Festa


Será que ela vai estar lá? E se estiver, o que devo dizer? Será que peço uma dança? Ou então ofereço uma bebida?

Enquanto todas essas perguntas passavam pela minha cabeça ouvi meu irmão bater na porta, eu já estava á vinte minutos no banheiro e ainda não tinha terminado meu banho, mais uma vez irei ouvir reclamações de meus pais por demorar no banho, mas hoje será uma noite especial então permito me questionar por mais alguns minutos enquanto sinto a água escorrer por meus cabelos.
  
Enfim, tive coragem e desliguei o chuveiro, me olho no espelho e foco em meus olhos, tentando aumentar minha autoestima de alguma forma, meu rosto cheio de espinhas não ajuda muito, pego uma navalha e tiro os pelos que estão começando a crescer em cima dos meus lábios. Ao tomar essa atitude, me surpreendo ao lembrar como o tempo passou rápido, parecia que era ontem que eu saia para brincar com meus amigos, e agora estou aqui, fazendo a barba para ir á minha primeira festa, é fato que esses quinze anos passaram depressa demais.

Após ouvir milhões de conselhos de minha mãe, consigo sair de casa. Enfim aqui estou, em minha primeira festa, na casa do cara mais popular da escola, ás vezes não acredito que ele tenha mesmo me convidado, mas acho que eu mereci após ter feito aquele trabalho de matemática para ele. Não tenho muitos amigos nessa nova escola, para ser sincero, após meus pais terem se mudado não fiz nenhuma amizade, todos parecem completamente diferentes de mim, exceto por ela, a garota responsável por eu estar aqui.
 
Em um momento de descuido, me pego olhando para um grupo de pessoas e é então que a vejo, conversando com sua amiga, ela estava linda, não cabe a mim descrevê-la nessas linhas, pois talvez o leitor não acredite nos exageros de um jovem de quinze anos, mas o que guardo em memória é a imagem de um anjo, uma beleza que em tamanho, não se possa comparar nem mesmo com os céus.

Pego mais uma bebida, minha cabeça dói, e é então que por um ímpeto de coragem resolvo ir falar com ela, mas o que dizer? Como dizer? E se ela me ignorar? Quando dei por mim estava caminhando, o tempo parou nesse instante, cada passo que eu dava para chegar até ela era como um passo para chegar á lua. Ao chegar próximo dela, percebi que estava olhando em minha direção e sorrindo, neste momento senti meu coração batendo próximo ao meu pescoço, minhas pernas tremendo, minhas mãos congeladas. A única coisa que me lembro em seguida é de ter acordado, de um sono profundo, nesse hospital frio e solitário.



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