Será que ela vai estar lá? E se estiver, o que devo dizer? Será que peço uma dança? Ou então ofereço uma bebida?
Enquanto todas essas perguntas passavam pela minha cabeça
ouvi meu irmão bater na porta, eu já estava á vinte minutos no banheiro e ainda
não tinha terminado meu banho, mais uma vez irei ouvir reclamações de meus pais
por demorar no banho, mas hoje será uma noite especial então permito me
questionar por mais alguns minutos enquanto sinto a água escorrer por meus
cabelos.
Enfim, tive coragem e desliguei o chuveiro, me olho no
espelho e foco em meus olhos, tentando aumentar minha autoestima de alguma
forma, meu rosto cheio de espinhas não ajuda muito, pego uma navalha e tiro os
pelos que estão começando a crescer em cima dos meus lábios. Ao tomar essa
atitude, me surpreendo ao lembrar como o tempo passou rápido, parecia que era
ontem que eu saia para brincar com meus amigos, e agora estou aqui, fazendo a
barba para ir á minha primeira festa, é fato que esses quinze anos passaram
depressa demais.
Após ouvir milhões de conselhos de minha mãe, consigo
sair de casa. Enfim aqui estou, em minha primeira festa, na casa do cara mais
popular da escola, ás vezes não acredito que ele tenha mesmo me convidado, mas
acho que eu mereci após ter feito aquele trabalho de matemática para ele. Não
tenho muitos amigos nessa nova escola, para ser sincero, após meus pais terem
se mudado não fiz nenhuma amizade, todos parecem completamente diferentes de
mim, exceto por ela, a garota responsável por eu estar aqui.
Em um momento de descuido, me pego olhando para um grupo
de pessoas e é então que a vejo, conversando com sua amiga, ela estava linda, não
cabe a mim descrevê-la nessas linhas, pois talvez o leitor não acredite nos
exageros de um jovem de quinze anos, mas o que guardo em memória é a imagem de
um anjo, uma beleza que em tamanho, não se possa comparar nem mesmo com os céus.
Pego mais uma bebida, minha cabeça dói, e é então que por
um ímpeto de coragem resolvo ir falar com ela, mas o que dizer? Como dizer? E se
ela me ignorar? Quando dei por mim estava caminhando, o tempo parou nesse
instante, cada passo que eu dava para chegar até ela era como um passo para
chegar á lua. Ao chegar próximo dela, percebi que estava olhando em minha
direção e sorrindo, neste momento senti meu coração batendo próximo ao meu
pescoço, minhas pernas tremendo, minhas mãos congeladas. A única coisa que me
lembro em seguida é de ter acordado, de um sono profundo, nesse hospital frio e
solitário.

Nenhum comentário:
Postar um comentário