Burro.
Burro mesmo. Era somente esse o adjetivo que passava em sua mente ao olhar-se ao espelho. Passavam das quatro da manhã e ele ainda não tinha conseguido dormir, um copo de leite quase fervendo, algumas bolachas, e mesmo assim o maldito sono estava longe de aparecer.
Lembrou-se que já era segunda e que teria um dia importante no trabalho, foi então que ele resolveu enfrentar seus pensamentos, lembrou-se do que havia acontecido naquela noite e de como tinha sido cruel com ela, de como agiu precipitadamente e principalmente de como queria voltar ao passado e fazer tudo de novo.
Ela estava linda com aquele vestido. Era vermelho, a mesma cor do batom que brilhava em seus lábios. E como esquecer dos cabelos, cacheados, tão castanhos quanto seus olhos.
E os olhos, á os malditos olhos, foram estes os responsáveis pela sua forma de agir, forem estes os responsáveis por fazer-se viva toda a ira que ele tinha guardado em seu peito, não por serem frios, mas por serem quentes demais, por serem ligeiros demais, ambiciosos.
Ao lembrar-se dos olhos, lembrou também das palavras e começou a ouvi-las em sua mente, da mesma maneira que em sua ultima noite. Estas não eram quentes, mas sim frias, não acompanhavam o belo sorriso que ela tinha e isso o fez temer, temer o que viria a diante. O sono estava a se aproximar agora, era uma pena, pois em seu relógio já eram quase sete e meia.

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